Educação
Em áudio, diretora de sindicato 'explica' como burlar lei para manter movimento grevista na Reme
A mulher é funcionária efetiva de um Ceim (Centro de Educação Infantil Municipal) localizado no Jardim Novo Horizonte, na região Oeste da cidade, e atua como adjunta no sindicato
DOURADOSNEWS / DA REDAçãO
Áudio de uma diretora do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação) de Dourados ensina a outros servidores da educação, uma forma de ‘burlar’ a lei e manter a paralisação na Reme (Rede Municipal de Ensino) a partir de segunda-feira (22/5), quando está agendado o início da greve dos professores e administrativos municipais.
A mulher é funcionária efetiva de um Ceim (Centro de Educação Infantil Municipal) localizado no Jardim Novo Horizonte, na região Oeste da cidade, e atua como adjunta no sindicato.
O fato chamou a atenção da administração municipal, que deve fazer denúncia ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) nesta sexta-feira (18/5).
No áudio, distribuído em grupos de whatsapp, ela confronta a possibilidade de reposição das aulas através de fraude documental, onde outros educadores realizam e entregam o planejamento semanal, sem que estejam na aula.
“Não repõe, não repõe”, inicia, falando sobre as aulas perdidas. “Eu sou do maternal um e você é do maternal dois. Na semana que eu estou na greve eu faço meu planejamento e a gente já combina antes que é você que vai ficar com minha turma. Sim, é desgastante, é. Vai juntar turma, vai pro parque, sei lá eu. Vai virar um caos. Mas é esse o plano, entendeu? Tem que ser. Tá atendendo 100%, ninguém dispensou as crianças”, relata trecho do recado, que se estende da mesma forma a outros setores da unidade escolar, como os cargos administrativos.
Em uma dessas ‘explicações’, ela cita que o problema maior estará relacionado às refeições feitas e servidas pelas merendeiras, diferente da limpeza, que segundo ela, pode ser deixado de lado.
“Administrativo a mesma coisa. Tem o dia da cozinha e o dia da limpeza. No caso da cozinha a gente vai ter que ver o que fazer. Mas assim, dia da limpeza, ah então, hoje é a semana que a limpeza tá em greve? Não vai limpar, não vai limpar, simples assim, não é pra quem ficar ter que se desdobrar e fazer as duas partes. Não é isso”, afirma.
Caso isso ocorra, a prefeitura estará pagando ao servidor sem que ele trabalhe. No entender da administração municipal, o caso é considerado ‘gravíssimo’ e oneraria os cofres públicos sem que o servidor esteja trabalhando.
Reposição
Em nota encaminhada ao Dourados News na tarde de quarta-feira (17/5), a prefeitura informou que as aulas na Rede Municipal de Ensino serão repostas posteriormente, “nem que seja em dezembro ou janeiro”.
Na mesma linha, a prefeitura afirmou que, ao declarar a paralisação, o sindicato ignora os trabalhadores que não pretendem viver novamente o movimento grevista, citando que os alunos não podem ser prejudicados com tal medida.
“Seja qual for a motivação, política ou não, ao declarar greve o sindicato ignora também boa parte, talvez a maioria, dos professores que não querem viver novamente um movimento grevista. A atual gestão não tem por hábito, compensar ou abonar faltas dos professores. O entendimento é que o aluno da Rede Municipal não pode ser prejudicado e por isso, caso a greve realmente aconteça, como no ano passado, as aulas terão que ser dadas nem que seja em dezembro ou janeiro do ano quem para o cumprimento do ano letivo”, diz.
A greve
Educadores da Rede Municipal de Ensino de Dourados deliberaram pelo início da paralisação nas escolas e Ceim’s (Centros de Educação Infantil Municipais) a partir da próxima segunda-feira (22/5).
A decisão veio na manhã de quarta-feira (17/5), em Assembleia realizada na sede do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação).
Os servidores querem o cumprimento do piso nacional da educação em 2023, que prevê 14,95% para o magistério.
“Após dezenas de tentativas de negociação com o prefeito de Dourados, Alan Guedes (PP), a categoria viu esgotadas todas as tentativas de cumprimento do Piso Nacional da Educação 2023, que prevê 14,95% de reajuste salarial para o magistério”, informou o sindicato.
Por outro lado, o Município alega que os profissionais tiveram aumento real acima da média nos anos anteriores, com 18,86% em 2022 e os 6% ofertado e encaminhado para apreciação da Câmara para este ano.
