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Iranianos celebram ataques de Israel e EUA contra o Irã: “Eu amo Trump”

As imagens, divulgadas foram registradas antes da imposição de um apagão virtual

GOSPELPRIME / WILL


Foto: Divulgação

Vídeos que circulam nas redes sociais desde a manhã deste sábado (28) mostram grupos de iranianos celebrando nas ruas de Teerã os bombardeios realizados por Israel e Estados Unidos contra instalações militares e governamentais do regime dos aiatolás, no Irã. As imagens, divulgadas inicialmente por veículos da diáspora iraniana, foram registradas antes da imposição de um apagão virtual que reduziu drasticamente a conectividade no país.

Em uma das gravações, é possível ver jovens gritando “eu amo Trump” enquanto colunas de fumaça sobem ao fundo, indicando os locais atingidos pelos ataques. Outro vídeo mostra pessoas dançando nas ruas – prática oficialmente proibida desde a Revolução Islâmica de 1979, quando líderes religiosos classificaram a dança como “ato pecaminoso” e “manifestação de luxúria”.

O canal Iran International English publicou as imagens em sua conta no X, acompanhadas da legenda: “Vídeo obtido pelo Iran International mostra pessoas dançando e festejando nas ruas após ataques dos EUA e Israel ao Irã”.

Embora o The Jerusalem Post, fonte original da reportagem, não tenha conseguido verificar de forma independente a autenticidade das imagens, um analista de guerra especializado em pesquisa de fontes abertas (OSINT) afirmou ao jornal que os vídeos aparentam ser recentes. Paralelamente, a agência Mehrnews e o canal Rudaw English divulgaram filmagens de estudantes pró-regime protestando nas proximidades da Universidade de Teerã, em apoio ao governo dos aiatolás, embora não esteja claro quando as imagens foram capturadas.

Blackout e Reforço da Repressão

Desde a divulgação dos vídeos, o serviço de monitoramento de internet Netblocks registrou uma queda drástica na conectividade em todo o Irã, que atingiu apenas 4% da capacidade normal. A agência de notícias Fars informou que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) mobilizou sua força paramilitar Basij para patrulhar as ruas de Teerã.

 

O contexto dos ataques ocorre em um momento de fragilidade interna do regime. Em dezembro, protestos generalizados eclodiram em função da desvalorização do rial e da grave crise econômica que assola o país. As autoridades responderam com violenta repressão, resultando em milhares de mortos nas ruas e um número ainda maior de detenções arbitrárias.

Fontes médicas relataram ao The Jerusalem Post que agentes do regime assassinaram manifestantes em seus leitos hospitalares, onde recebiam tratamento por ferimentos causados pelas forças de segurança, e que profissionais de saúde foram perseguidos e presos por atenderem os feridos.

Análise pontual

O vice-almirante reformado Robert Harward, ex-comandante adjunto do Comando Central dos EUA, havia alertado ao Post no início do mês que o regime islâmico frequentemente utiliza conflitos externos para “galvanizar e explorar o nacionalismo” em seu benefício. No entanto, os ataques desta semana ocorrem em um momento em que a insatisfação popular com o regime parece ter atingido níveis sem precedentes.

A ex-oficial de inteligência do Exército britânico Lynette Nusbacher, uma das arquitetas de duas Estratégias de Segurança Nacional do Reino Unido, afirmou ao Post que, embora não possa comentar os vídeos sem autenticação prévia, “estamos recebendo um sinal que apoia a narrativa de um colapso rápido do regime”.

Ela ponderou, contudo, que já se sabe da existência de redutos antirregime em partes do Irã onde as pessoas se sentem seguras para demonstrar sua disposição para uma mudança de governo. Nusbacher alertou que, embora tais manifestações sejam um indicativo do enfraquecimento do controle de Teerã sobre a população, “não são um sinal de que exista um governo sucessor bem organizado, capaz de derrubar até mesmo um regime enfraquecido”.

Nas redes sociais, o pastor e evangelista Franklin Graham pediu orações pela libertação do povo iraniano e pela proteção dos militares envolvidos na operação. “Orem por nossos militares na operação contra o Irã, pelo Presidente Donald Trump, e para que o povo do Irã seja libertado do jugo do Islã”, escreveu, segundo o GospelMais.