Polícia Penal Federal suspende greve após medida provisória do governo

Publicação da medida provisória é um avanço e atende parcialmente as demandas exigidas pela categoria em relação ao FUNAPOL

CORREIO DO ESTADO / NAIARA CAMARGO


Faixas reivindicando melhorias para a categoria dos PPFs - DIVULGAÇÃO

Paralisação nacional dos policiais penais federais está suspensa.

Federação Nacional dos Policiais Penais Federais (FENAPPF) afirmou que o estado de greve, aprovado em assembleia na semana passada, foi suspenso.

A decisão ocorre após o Governo Federal publicar a Medida Provisória (MP) nº 1.348 , de 6 de abril de 2026, que fortalece medidas do sistema de combate ao crime organizado no Brasil.

De acordo com o FENAPPF, a publicação da MP é um avanço e atende parcialmente as demandas exigidas pela categoria, promovendo alterações no Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (FUNAPOL), como:

  • ampliar fontes de receita
  • incluir recursos provenientes de apostas de quota fixa, transferências e doações
  • reforço orçamentário de até R$ 200 milhões em 2026
  • possibilidade de destinação de recursos para despesas como saúde dos servidores, podendo abranger integrantes da Polícia Penal Federal

Vale ressaltar que a mobilização da categoria foi imprescindível para acelerar o agir o Governo Federal.

Mas, apesar da suspensão do estado de greve, os PPFs continuam em alerta, acompanhando de perto os desdobramentos da medida provisória e cobrando avanços efetivos para a valorização da categoria.

“Por meio da Medida Provisória, o Governo Federal não instituiu o FUNCOC, mas avançou ao promover alterações no FUNAPOL. É um passo importante, embora ainda aquém do necessário diante das demandas da categoria. Seguiremos em diálogo, buscando uma solução mais ampla e estruturante. Neste momento, o estado de greve está suspenso, mas a mobilização permanece”, afirmou o diretor da FENAPPF e presidente do SINPPF-MS, Renan Fonseca.

EX-GREVE

Greve dos Policiais Penais Federais (PPFs) em Mato Grosso do Sul foi aprovada em assembleia geral realizada na última quarta-feira (1°).

Até então, estava previsto a paralisação total dos setores considerados não essenciais e suspensão de até 50% das atividades essenciais.

O tempo de banho de sol dos internos seria reduzido pela metade. As visitas de familiares e os atendimentos por advogados também seriam limitados.

Os serviços de saúde, como atendimentos médicos e odontológicos, seriam mantidos apenas em casos de urgência e emergência.

O movimento foi, em partes, motivado pela insatisfação da categoria com a condução do Governo Federal em relação à criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC).

Considerado estratégico pelos servidores, o fundo é visto como essencial para garantir investimentos em estrutura, capacitação e valorização profissional.

A crise se intensificou após a exclusão inicial da Polícia Penal Federal das discussões sobre o fundo, o que gerou forte reação interna.