'Exerceu com a soberania que lhe é própria'

Gilmar Mendes, decano do STF, reconhecendo derrota que o Senado impôs a Lula

CORREIO DO ESTADO / CLáUDIO HUMBERTO, COM RODRIGO VILELA E TIAGO VASCONCELOS


Cláudio Humberto

Foram acachapantes e simbólicas as derrotas humilhantes de Lula (PT) no Senado e no Congresso, o primeiro rejeitando Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o outro derrubando o veto presidencial ao projeto da dosimetria, A vaga pretendida por Messias tem significado: era de Luís Roberto Barroso, criador de um bordão do ativismo judicial. Assim, o aliado de ontem tornou-se, involuntariamente, o autor da frase que resume a humilhação histórica imposta a Lula: “Perdeu, mané”.

Única iniciativa de conciliação nacional desde as sentenças raivosas do 8/Jan, a dosimetria faz justiça, mas o rancoroso Lula quer ver “sangue”.

Derrotando a dupla Lula/Messias, o Senado decidiu que há limites para o aparelhamento do Judiciário. 

Messias carregava dois pesos mortos rejeitados: um histórico de ativismo radical de esquerda e o currículo considerado insuficiente até por aliados.

Barroso sai de cena deixando a vaga e o bordão. Lula fica com a frase, e a constatação amarga de que, desta vez, quem perdeu, mané, foi ele.

Lula (PT) segue discursando como sindicalista dos anos 1980, posando de defensor dos “trabalhadores”, mas este 1º de Maio de 2026 expõe o fosso entre retórica e realidade. O salário mínimo reajustado em risíveis R$103, para R$1.621, que mal repõe a inflação, oferece ganho real de míseros 2,5%. Ele admite, em público, que o valor “é muito baixo”, mas nada faz sobre isso. A política de “valorização” do mínimo, retomada em 2023, era só outra lorota, e virou uma rotina de correções modestas. 

Piso salarial como instrumento de dignidade, bandeira do PT, converteu-se em “ajuste técnico”, insuficiente para recompor o poder aquisitivo. 

Trabalhadores formais, informais, aposentados e pensionistas do INSS sentem no bolso o mesmo aperto de sempre. 

Pesquisa Datafolha recente revelou que só 17% de quem ganha até R$5 mil admitem terem sido beneficiados pela isenção de imposto de renda.

Nas contas de Paulinho da Força (SDD-SP), relator do projeto da dosimetria, com a aprovação da proposta, o ex-presidente Jair Bolsonaro pode migrar para o regime semiaberto em cerca de um ano e meio.

A semana de derrotas e humilhação para Lula no Congresso marcou a estreia com pé esquerdo do deputado José Guimarães (PT-CE), que assumiu a (des) articulação política do governo.

Após o anúncio da derrubada do veto de Lula (PT) à lei que vai reduzir penas do 8/jan, parlamentares no plenário começaram a cantar parabéns para Flávio Bolsonaro, que completou 45 anos nesta quinta-feira (30).

Passada sessão que sacramentou derrota de Lula e rejeição de Jorge Messias para o STF, o “QG” de Flávio Bolsonaro (PL), em Brasília, lotou de parlamentares, que curtiram churrasco e jogaram futebol.

Decano do STF, Gilmar Mendes não deve esticar a corda na disputa com o Legislativo, após rejeição do nome de Jorge Messias para o tribunal. Diz o ministro que “a decisão do Senado deve ser respeitada”.

“Não passa de mentiras”, criticou Marcel van Hattem (Novo-RS) sobre a tentativa de lulistas de associar a derrubada do veto à dosimetria a ajuda a faccionados. “O Congresso manteve avanços da Lei Antifacção”, disse.

Xingado na tribuna do Congresso por parlamentares aliado de Lula (PT) e cia., o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro ironizou: “O Brasil não precisa desse ódio, mais amor, por favor!”.

Em Campo Grande (MS), a prefeita Adriane Lopes (PP) sancionou lei que proíbe pessoas trans de usarem banheiros femininos e justificou: “resguardar direitos das mulheres”. Teve até protesto. Contra e a favor.

...não há “reciprocidade” para humilhação histórica.

PODER SEM PUDOR

Senadores discutiam a redução da maioridade penal, anos atrás, quando o então senador Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a exibir sua veia artística. Lendo um relatório sobre o tema, em certo trecho um cachorro latia. Suplicy leu e latiu. Três vezes. Risos gerais. Adiante, ele se referiu a “vários tiros de arma de fogo”. Novamente Suplicy ilustrou a leitura berrando os tiros. O senador tucano Arthur Virgílio (AM) não resistiu: com reflexos de bom judoca, levantou os braços, com ar de espanto, em gesto de rendição. Mais risos.