Justiça cassa mandato de vereador eleito em MS por compra de votos

Decisão da 7ª Zona Eleitoral anulou os votos do parlamentar, determinou nova totalização do resultado e aplicou multa superior a R$ 53 mil após ação movida pelo MPMS

CORREIO DO ESTADO / ALICIA MIYASHIRO


Justiça Eleitoral determinou cassação do diploma, anulação dos votos e recontagem do resultado das eleições em Corumbá após ação do MPMS - Divulgação

A Justiça Eleitoral cassou o mandato de um vereador eleito em Corumbá nas eleições municipais de 2024 após reconhecer a prática de compra de votos durante a campanha eleitoral. A decisão foi proferida pela 7ª Zona Eleitoral e atende ação apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Além da perda do diploma, o parlamentar foi condenado ao pagamento de multa no valor de R$ 53.205,00. A sentença também determinou a nulidade dos votos recebidos pelo candidato e a realização de nova totalização eleitoral, o que pode alterar a composição da Câmara Municipal de Corumbá.

Segundo o processo, as investigações identificaram movimentações financeiras em espécie durante o período eleitoral e reuniram documentos considerados relevantes para a comprovação das irregularidades. 

Entre os materiais analisados pela Justiça estão recibos manuscritos, registros de pagamentos, anotações com nomes e dados de eleitores e informações extraídas de aparelhos eletrônicos apreendidos durante as diligências. 

De acordo com a sentença, também foram verificadas inconsistências entre os valores movimentados pela campanha e aqueles oficialmente declarados na prestação de contas eleitoral. 

Na decisão, o magistrado destacou que a entrega de dinheiro a eleitores em troca de apoio político compromete a legitimidade do processo democrático e viola a igualdade de condições entre os candidatos.

O entendimento da Justiça Eleitoral foi de que, para caracterizar a captação ilícita de sufrágio, não é necessário haver pedido explícito de voto, bastando a comprovação de que a conduta tinha finalidade eleitoral. 

A ação foi conduzida inicialmente pelo promotor de Justiça Rodrigo Correa Amaro. Atualmente, o caso é acompanhado pela promotora de Justiça Viviane Zuffo Vargas, que afirmou que a atuação do MPMS busca garantir a lisura do processo eleitoral e combater práticas que interfiram na liberdade de escolha do eleitor.